A prefeitura de New York
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Na minha prmeira vez nos Estados Unidos ficamos uma semana em Long Island na casa de uma amiga. Era uma cidadezinha daquelas que conhecemos dos filmes. a vida toda organizada, o corpo de bombeiros como os caminhões brilhando, a loja de ferramentas, a barbearia etc. Depois iríamos para a Big Apple passar o resto da viagem. As pessoas na pequena cidade sempre perguntavam: Você vai para a "grande cidade"? Quando vocês vão para a grande cidade? Havia sempre um ar de espanto , surpresa, sei lá o que. Mas a ansiedade foi crescendo. Quando eu via aquelas fotos de uma cidade imensa dava um friozinho na barriga.
No dia D pegamos um trem do suburbio pra a cidade. Cerca de uma hora e meia de viagem. Descemos numa estação imensa e bonita - que não lembro agora qual foi - mas foi a primeira visão do que seria a grande cidade. Quando saí na rua não pude evitar o deslumbramento, afinal estava , ao vivo, dentro do cenário de toda a lavagem cerbral promovida por Hollywood nos últimos 60 anos. O táxi amarelo, as caixas de correio, os telefones públicos ,a grade do esgoto, eu conhecia tudo, pois tudo era como no cinema.
Comecei a andar pela rua, meio sem sabre pra onde ir, e meio abestalhado com o tamanho daqueles edifícios, a quantidade de gente etc. Então tive um insight. Olhando aquilo tudo, aquela cidade me veio o seguinte pensamento:
Enquanto existe uma cidade deste tamanho, com toda esta riqueza e poder tem uns sujeitos literalmente se matando pela prefeitura de São Miguel do Mato Dentro.
Me veio um sentimento forte do aspecto ridículo das lutas pelo poder, seja em São Miguel do Mato Dentro, seja em Nova York. No fundo se resume a um simples desejo humano. O mais tenebroso dos já estranhos desejos humanos. Ter poder sobre o destino dos outros.
