sábado, 20 de novembro de 2010

Na dúvida , acelere!

Escutei mais uma vez, ontem, a máxima dos motociclistas, "na dúvida, acelere". Isso é especialmente verdade no off-road. Areia e lama... sentiu que vai cair , acelera! Já me livrei também de algumas quedas e choques com carros na cidade, acelerando na fração certa do momento certo. O problema desta "técnica"é que a fração certa do momento certo é muito curta e dependendo da velocidade pode ser curta demais. É o momento em que dizemos aquela expressão final : QUE MERDA! E então não há mais tempo para nada. Outro problema desta técnica é que , principalmente para os iniciantes, a tendência visceral é parar, frear na esperança de acabar com o problema. Mas não há como parar uma queda. Acelerar , por outro lado pode evitá-la: L= dW/dt tende a ser constante , o que significa que uma moto andando, tende a continuar andando enquanto ela parada sempre cai.
 O ideal é nunca ter duvidas ao pilotar.
- Certo, isto não é possível mas é uma meta que pode ser alcançada. É o que vou chamar de pilotagem meditativa. Como dizem os mestres desde sempre, meditação não é pensar em nada. Meditação é atenção plena. É estar todo no momento presente.
Uma forma de meditar é pensar no que se está fazendo. Toda a atenção no agora.
Já viram a relação com a pilotagem?
Pilotar não é uma distração- assim como a meditação também não o é. Pilotar não é se divertir. Lembremos que divertir é uma palavra que tem na sua origem o significado de divergir, sair do caminho , perder o rumo. Nada pior para um tripulante das duas rodas.
A atenção plena está longe de ser uma ação de medo. Quem vive no medo não pilota motos.
Os iniciantes podem começar prestando atenção ao modo de pegar no guidão: está apertando demais? Para onde está o olhar? É necessário realmente olhar tantas vezes para os instrumentos? Meditar não tem stress.

Naquele dia o mecânico também lembrou outra máxima dos motoqueiros: para pilotar bem, a técnica é apenas uma: pilotar todo dia, e se puder, o dia todo. Você sabe quantas horas por dia os monges meditam nos mosteiros?
 E vocês poderiam me perguntar: Você sabe quantas horas os monges pilotam motocicletas?
Quantas horas não sei mas eles já estão montados.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O zen e arte de não morrer na moto


O zen e a arte de fazer qualquer coisa tornou-se moda depois do livro de Robert Maynard Pirsig " O zen e a arte de manutenção das motocicletas. Trata-se de uma viagem filosófica meio louca dele,  com o filho pequeno na garupa de uma BWW. É um livro muito interessante e um dia vou voltar a ler. Com os olhos e a mente do agora. O autor vai de uma costa a outra dos Estados Unidos refletindo sobre a sua e a nossa loucura. Mas apesar da moda e por tratar-se de moto, coloquei este título no post sem me preocupar com a moda. Pois a intenção é mais dar a informação sobre o livro e falar sobre a morte.
As estatísticas de morte nas motocicletas no Brasil são alarmantes. Não há um dia sequer que os jornais não façam questão de mostrar algumas. Mas então porque razão determinadas pessoas, que devem ser completamente insanas, continuam guiando estes artefatos mortais? Ler o livro é um bom programa para pensar sobre motos meditação e morte.

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sábado, 15 de novembro de 2008

meditação

Ouça a exortação do amanhecer!
Olhe para este dia!
Porque ele é a Vida, a verdadeira vida da Vida!
No seu breve curso se encontram todas as verdades e as realidades da nossa existência:
A benção do Crescimento
A glória da Ação
O esplendor da Beleza…
Porque Ontem é apenas um sonho
E Amanhã é somente uma visão
Mas um hoje, bem vivido faz de cada Ontem um sonho de felicidade
E transforma cada Amanhã em uma visão de esperança.
Por isso, olhe bem para este dia.
Esta é a saudação do amanhecer…

Kalidasa

domingo, 7 de setembro de 2008

A prefeitura de New York


Na minha prmeira vez nos Estados Unidos  ficamos uma semana em Long Island na casa de uma amiga. Era uma cidadezinha daquelas que conhecemos dos filmes. a  vida toda organizada, o corpo de bombeiros como os caminhões brilhando, a loja de ferramentas, a barbearia etc. Depois iríamos para a Big Apple passar o resto da viagem. As pessoas na pequena cidade sempre perguntavam: Você vai para a "grande cidade"? Quando vocês vão para a grande cidade? Havia sempre um ar de espanto , surpresa, sei lá o que. Mas a ansiedade foi crescendo. Quando eu via aquelas fotos de uma cidade imensa dava um friozinho na barriga. 
No dia D pegamos um trem do suburbio pra a cidade.  Cerca de uma hora e meia de viagem. Descemos numa estação imensa e bonita - que não lembro agora qual foi - mas foi a primeira visão do que seria a grande cidade. Quando saí na rua não pude evitar o deslumbramento, afinal estava , ao vivo, dentro do cenário de toda a lavagem cerbral promovida por Hollywood nos últimos 60 anos. O táxi amarelo, as caixas de correio, os telefones públicos ,a grade do esgoto, eu conhecia tudo, pois tudo era como no cinema. 
Comecei a andar pela rua, meio sem sabre pra onde ir, e meio abestalhado com o tamanho daqueles edifícios, a quantidade de gente etc. Então tive um insight. Olhando aquilo tudo, aquela cidade me veio o seguinte pensamento:
 Enquanto existe uma cidade deste tamanho, com toda esta riqueza e poder tem uns sujeitos literalmente se matando pela prefeitura de São Miguel do Mato Dentro.  
Me veio um sentimento forte do aspecto ridículo das lutas pelo poder, seja em São Miguel do Mato Dentro, seja em Nova York. No fundo se resume  a um simples  desejo humano. O mais tenebroso dos já estranhos desejos humanos. Ter poder sobre o destino dos outros. 

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A moto perfeita


Um amigo alemão disse que ela existe e atende pelo nome BMW (bê, emm, vê).
Pode ser?
O estado de perfeição é derivado da nossa paixão.
E ainda tem a questão das modalidades . Qual você prefere, esportiva, cross, custom ? E por aí vai.
Há pessoas que cultivam um estilo a vida inteira. Em tudo!
Mas há os sem-estilo, os inqueitos, os ansiosos.
Querem estar na estrada e no barro, passar de um para outro sem cermônias,
sem ao menos trocar de roupa.
As fábricas tentam,
os mecânicos tentam
e a dúvida continua